A minha profissão é construída com base na crítica. Desde os primeiros passos, as primeiras aulas, as primeiras audições somos confrontados com análises do nosso trabalho. Análises externas pelos professores, pela família, pelos amigos e pelo público e a nossa autoanálise/ autocrítica.

Este é um percurso que se constrói na base da técnica IDENTIFICA – RESOLVE – IDENTIFICA DE NOVO – RESOLVE DE NOVO, o que nos permite ir crescendo e ter o privilégio de viver sob a premissa: há sempre algo a MELHORAR. A perfeição não me parece alcançável numa arte tão nobre e de apreciações tão subjetivas. O que um artista transporta consigo tem tanta subjetividade que até mesmo perto da perfeição, haverá sempre pelo menos duas perspetivas diferentes e uma sempre menos favorável do que a outra.

Daí vem o aprender a lidar com a crítica, aprender a receber humildemente opiniões e aprender a ser seletivo e a reter o que realmente serve para nós. Não se trata de pedantismo, mas, sim, de capacidade de autoavaliação e uso potenciado daquilo que nos sugerem. Isto porque ninguém conhece melhor o nosso corpo e o nosso instrumento do que nós, cantores.

Portanto, todo o processo de construção de uma carreira, de uma voz, de verdades artísticas singulares esconde por detrás uma panóplia de momentos de crítica. E mesmo aquelas considerações que são feitas com alguma maldade e sem propósito construtivo algum, a não ser desestabilizar, são tão válidas e importantes como todas as outras, pela possibilidade que nos dão de aprender a filtrar o que devemos ou não reter, de identificar o que é genuinamente proferido e de nos provar que estamos ou não prontos para abraçar uma carreira tão bonita, mas tão cheia de exigências e rasteiras.

O importante é ver sempre a crítica como uma dádiva!