Raríssimas foram as vezes em que me vi obrigada a cancelar a minha prestação em algum concerto. Duas delas foram por motivos éticos, que me eram alheios, outra acabou por ser um adiamento de um concerto por motivos de saúde (o que não é simpático, mas pelo menos pude fazer o recital noutra data) e a mais dolorosa foi o cancelamento total da minha prestação. Neste último caso, uma vez que se tratava de duas galas de ópera com orquestra, coro, maestro vindo de outro país e outra solista não se colocava a hipótese de adiamento, naturalmente.

Não sei dizer o que é mais doloroso: se a impotência; se o reconhecer e informar de que não estava apta para cumprir o proposto; se o momento em que se estavam a realizar os concertos e eu estava deitada e sem forças e a procurar recuperar; ou até o pós em que leio em todo o lado o quão bonito foi (Eu sabia que ia ser lindo! O repertório era mágico e todos os intervenientes maravilhosos) e eu não estava lá.

São emoções que não têm, para mim, definição. O amor ao palco é o que nos move numa profissão tão bonita, mas, por vezes, tão dolorosamente exigente. Portanto, quando nos tiram o momento para o qual nos preparamos de forma dedicada e entusiasmada, abate-se uma tristeza imensa, onde as lágrimas tomam o lugar do sorriso e, apesar de não resolverem nada, pelo menos, limpam um pouco a alma. Eu chorei. Chorei muito.

Às vezes acontece… Desta vez foi comigo…