Uma sensação ambígua percorre-me sempre que viajo. Sinto que vou conhecer Mundo, experienciar coisas novas, descobrir recantos. Tudo isto deixando o meu espaço, a minha família e os meus amigos para trás. São opções de vida que custam mais do que, à partida, se imagina.

Apercebo-me de que perco o meu mundo: não estou lá nos aniversários, nas festividades do ano, nas festas organizadas para se juntarem os amigos, naqueles momentos em que os meus precisam dum abraço… ou que eu própria preciso de um abraço.

Às vezes questiono o paradoxo disto tudo; questiono a crueza que está por detrás dos momentos mágicos que vivo em palco.

Perder o meu mundo dói fundo; conhecer o outro lado da minha profissão e vivê-lo proporciona-me uma felicidade e realização pessoal enormes.

Não daria para sentir de outra forma: arte é emoção, é entrega, é dar… e é sentir felicidade nessa oferenda. São opções… Há que tentar aprender a lidar com isso…