Num artigo que li enquanto fazia diversas pesquisas na internet, deparei-me com a seguinte frase

“Os professores são simpáticos, mas exigentes. Creio que há uma linha ténue entre ser encorajador e construir confiança e ser realista. Nós não queremos que pensem que há algo que não seja trabalho duro à sua frente. A ópera é um negócio.”.

Estas palavras são de Blanche Thebom, cofundadora e diretora do programa de treino operático para jovens raparigas no Coro de Meninas de São Francisco.

É de facto, na minha opinião, uma linha ténue. Um professor que tenta incutir boa energia, pensamento positivo, autoconfiança, tem, ao mesmo tempo, o papel delicado de não alimentar falsas esperanças. Várias questões se levantam, uma vez que há alunos que correspondem melhor sob palavras mais duras e outros que não conseguem lidar com isso.

Por experiência própria, vi durante muitos anos, a importância do estímulo positivo e da auto perceção das boas características de cada um. A voz é algo que não é externo ao nosso corpo, logo, um comentário mais negativo e brusco, é quase como um ataque à própria pessoa e não só à capacidade de gerir o seu instrumento. A sensação de imperícia pode causar alguma frustração. Por outro lado, é muito importante ter os pés assentes no chão e perceber até que ponto um elogio é 100% realista ou traz consigo um efeito psicológico para fazer crescer a vontade de trabalhar e melhorar, consciente, porém, de algumas lacunas. O canto é uma disciplina que exige um constante aperfeiçoamento, sem desleixe e com muito foco. Não existe essa perfeição adquirida. É uma constante evolução, quanto mais não seja porque o corpo vai também sofrendo as suas naturais alterações com o tempo.

Creio que é importante percebermos quem temos como orientador vocal, que tipo de estímulo funciona connosco e construirmos também a nossa visão crítica e realista sobre a nossa própria voz.