Canto inspirada, feliz, realizada… As luzes a baterem na cara, a energia em palco a sussurrar-me sensações boas para me fazer continuar com toda a entrega… Absorvo cada fração de segundo de todo e qualquer momento que vivo em plenitude no palco… Acaba a obra, aquela felicidade preenche-me por completo, as palmas estalam – umas mais sinceras do que outras, mas lá no meio não se distinguem – e esse cumprimento delicia-me. As luzes da sala acendem-se, consigo reconhecer as caras que estão do lado do público… Ou se calhar não…

Infelizmente nem sempre posso contar com os “meus” do outro lado: alguns concertos são longe; por vezes os afazeres não permitem a presença dos que amo; algumas pessoas já me ouviram uma vez e sentem que cumpriram com o dever ( não percebem a magia distinta de cada projeto único que levo a palco); alguns amigos esquecem; alguns colegas ficam doentes, outros com preguiça… Não encontro aquele sorriso “meu” vindo da plateia no fim do concerto! As luzes apagam-se, mudo de roupa no camarim, saio pela porta dos artistas, ninguém à espera… Não tenho aquele abraço “meu” no fim de tudo!

Enlaço-me a mim própria num sorriso interior que me aquece. Sinto a felicidade agridoce de estar a viver uma fantasia que o deixou de ser e se tornou realidade… Uma realidade que ajusta os sonhos da melhor forma…

Nem sempre os “meus” estão lá…