Ouvir “não” é parte integrante deste processo louco de audições e concursos, numa tentativa quase desenfreada de conseguir um lugar, um papel, um bocadinho de destaque em alguma produção. É uma luta desigual de interesses, pejada, muitas vezes, de momentos de falta de humanismo, falta de carácter e, maioritariamente, de falta de sensibilidade.

A questão impõe-se: como é possível uma carreira e profissão, que se devia pautar por princípios humanos puros e genuínos, ser abalroada por questões tão materialistas que primam pelas conveniências económicas, pela importância da imagem e pelos proveitos de estatuto social? Porque se perde a essência? Onde estão os verdadeiros valores da Arte?

Acredito que o segredo está em manter uma postura correta, fiel ao nosso princípio básico de existência e à legítima paixão que nos empurra a acreditar e lutar por esta carreira. Os nossos passos não podem ser dados em função dos outros, caso contrário os nossos motivos adulterar-se-iam e toda a essência da nossa decisão perder-se-ia. Foco! Honestidade! E muito trabalho! A estrelinha acaba sempre por brilhar, desde que esse brilho venha real e honradamente do âmago. Um dia é um “sim”…