Em 2012, como em tantos outros anos, participei em mais um concurso aberto a todos os músicos solistas, numa única categoria. Fui com vontade de dar o meu melhor e, se possível, trazer um prémio para casa. Não ganhei nada, mas vim embora consciente de ter feito uma boa prestação e desconsolada por não ter sido meritória de qualquer reconhecimento (algo que nem sempre acontece, pois, na maioria das vezes, saímos duma prova/ performance a achar que podia ter corrido melhor. Chamem-lhe perfeccionismo!).

Cabeça erguida e foco no que tinha para fazer a seguir. Curiosamente, dias mais tarde, cruzei-me – noutra cidade diferente daquela onde tinha decorrido a competição– com um senhor que manifestou desagrado pelo resultado no referido concurso, dando a entender que tinha sido um dos jurados. Agradeci-lhe a sinceridade e guardei as suas palavras como motivação para continuar o meu trabalho. No fim de contas, é nossa missão enquanto músicos deixar uma marca bonita por quem passamos. E, pelos vistos, isso aconteceu.

Anos mais tarde – precisamente seis anos depois -, após enviar uma proposta de um projeto do qual faço parte – À la joie – para o Festival Xiquitsi, em Maputo (Moçambique), recebo uma resposta positiva da sua diretora executiva e artística. Felizes, embarcamos – eu, o Tiago Matos (barítono) e o Pedro  Costa (pianista) para uma aventura mágica em Maputo.

Antes de mais, mágica porque a minha família materna tinha vivido muitos anos em Maputo, era a minha mãe uma menina. Depois porque, desde sempre, ouvi os meus conterrâneos a falarem de Moçambique e África em geral com um brilho sincero nos olhos. E é verdade: quem visita África uma vez, nunca mais esquece. As pessoas que conheci, a quem ensinei e que me ensinaram tanto, tornaram esta experiência memorável.

Por último, mágica porque percebi que, quando menos esperamos deixamos uma memória bonita em pessoas que nem imaginávamos.

Aqui volto à história do concurso de 2012. Pois entre os jurados estava Kika Materual – a diretora artística e produtora do Festival Xiquitsi. A Kika, não satisfeita com o resultado do concurso, prometeu a si própria que um dia me recompensaria.

E que recompensa! Que gesto! O mais curioso é que eu nem me lembrava quem tinha estado no júri, nem sequer me lembrava de ter lido o seu nome na lista.

E que bom que não ganhei nada naquela competição. Porque ganhei tudo com esta experiência: as memórias mais bonitas, sinceras, genuínas, verdadeiras e FELIZES! OBRIGADA!

Na minha memória fica para sempre o momento em que, em palco, os elementos do Projeto Xiquitsi me ofereceram, durante a incrivelmente poderosa cancão africana SAN’BONANI – que significa dizer olá/ cumprimentar – duas belíssimas capulanas.

Capulana | Xiquitsi Maputo

Capulana | Xiquitsi Maputo

Impossível segurar as lágrimas. Isto fez tudo valer a pena!