A inveja está correlacionada com o sentido de igualdade. Eis uma questão interessante e pertinente. É inevitável compararmo-nos, desejarmos algo que o outro tem e, por vezes, isso assume uma proporção maior, levando a um dos sentimentos, na minha opinião, mais perigosos: a inveja. É muito curiosa a forma como Alain de Botton – um escritor/ produtor suíço que explora o uso da filosofia na vida quotidiana – aborda este assunto na sua palestra “Uma filosofia do sucesso mais simpática e gentil” (Julho 2009) no âmbito das conferências TED: Ideias que merecem ser disseminadas.

Segundo Botton – e confesso concordar com a sua defesa – não tendemos a invejar alguém com quem não conseguimos estabelecer uma relação de igualdade; com quem não conseguimos encontrar um termo de comparação, seja pela idade, pelo estrato social, pelo tipo de percurso pessoal e, naturalmente, artístico.

Tudo isto alimenta uma mentalidade de dualismo: o bom e o mau nos solos polos extremos e sustenta autocríticas e injustas. Não há fórmulas, não há segredos; há, sim, percursos distintos e singulares.

Outro aspeto absolutamente interessante e que nos leva a pensar um pouco é a questão da meritocracia. É-nos incutida através das mais diversas a ideia da importância de uma sociedade meritocrática. A questão pertinentemente levantada por Alain de Botton prende-se com o facto de que, segundo esta máxima, se aquilo que alcançamos de bom é meritório, então o que alcançamos de mau também e isso acrescenta um imenso peso de conotação bem negativa a todos os momentos em que falhamos ou não conquistamos o que almejávamos ou acreditávamos justo.  E tudo isto projeta uma visão depreciativa a nosso próprio respeito.

E é nesse sentido que surgem tantos livros, palestras, conceitos de autoajuda, de mindfulness e contato com a natureza. São formas de desligar da comparação com o humano e de absorver o “eu” e relacionar-se com algo não-humano e que permite um maior relaxamento.

Surge, então, o conceito de sucesso e o seu paradoxo fracasso. E a verdade é que, mais uma vez, estão interligados. Isto porque não se pode ser bem sucedido em tudo, havendo sempre um lado que “perde”. A este princípio junta-se o facto de, muitas vezes, vivermos uma ideia de sucesso que não é a nossa, mas sim absorvidas de outros.

Portanto, o grande sentido de tudo isto é perceber o que é realmente a nossa ideia de sucesso, de autossatisfação, daquilo que nos traz felicidade e autorrealização genuínas.

Por isso fica a pergunta: O que é que EU quero realmente?

 

Alain de Botton TED Talk: A kinder gentler philosophy of success 

TED Talks