Normalmente no fim dos concertos oferecem-nos ramos de flores muito bonitos. E sinto-me sempre tão grata por recebê-los. As flores são lindas, cheiram bem e mostram-se em cores maravilhosas.

Confesso que acabo, quase sempre, por oferecê-las; amigos, família ou alguém especial que vai assistir a um concerto meu, são aqueles a quem sou eternamente grata.

Uma vez, numa digressão na Alemanha, ofereceram-me o maior ramo de flores de sempre… Era tão bonito! Lembrar-me-ei sempre dele… Contudo, não o podia levar comigo… Tinha um avião para apanhar e não havia forma de poder transportar tamanho ramo comigo (ter-me-ia feito comprar um outro lugar!!! Acreditem, era imenso e imensamente bonito!). Então decidi deixá-lo no quarto de hotel, onde estive alojada, com um pequeno bilhete com palavras dirigidas ao staff… Foram simplesmente fantásticos para comigo, preparando-me até o pequeno almoço para levar, num dia em que tive de sair por volta das quatro da manhã. Sim, há pessoas absolutamente inspiradoras em todo o lado do mundo.

Mas tudo isto me faz pensar que as flores acabam por se tornar apenas memórias, pois morrem alguns dias depois (bem, podemos sempre secar algumas; mas as cores, a energia e a beleza não são as mesmas, no final de contas).

Houve, no entanto, um concerto, no qual cantei num Museu do Vidro em Portugal, que acabou por se revelar uma surpresa. Não só tinha o palco decorado com belíssimas obras de arte em vidro, como também me ofereceram no final uma belíssima flor de vidro, que guardo até hoje em casa. Que presente mais delicado e especial! Sempre que olho para a flor, recordo todos os ramos que já recebi.

por Marina Pacheco

[Fotografia: a flor de vidro]