Bem, este post pode ser um pouco controverso, uma vez que penso que algumas pessoas não irão entendê-lo ou concordar com o mesmo em parte.

A auto-sabotagem é algo comum no meio artístico.  Presenciei colegas a deparar-se com questões de auto-sabotagem de uma forma quase consciente – quero dizer, optando claramente por pensamentos negativos e adoptando atitudes visivelmente atitudes auto-destrutivas.

Mas devo dizer que estou convicta de que há muito mais a falar sobre este tema.

Apercebi-me que estava a auto-sabotar-me de forma evidente e real há cerca de seis anos atrás. Mas isto não foi consciente.

Nunca partilhei esta história… Então, eu estava em gravações para o meu segundo álbum, numa fase emocionalmente delicada para mim, mas muito boa profissionalmente. Acreditem ou não, todos os dias dedicados à gravação em estúdio eu acordava de manhã quase sem voz e em pânico, pois não me sentia capaz de um registo áudio para a posteridade. E o tempo previsto de trabalho era de uma semana.

O mais impressionante é que desde o momento em que acordava até à hora de início das gravações, de forma inexplicável a minha voz tornava-se limpa e pronta para trabalhar.

E não… não era nervosismo, extremo entusiasmo ou preocupação… Eu simplesmente não me sentia bem todos as referidas manhãs. Até o meu corpo não estava nas perfeitas condições de energia.

Alguns duas antes tinha ido fazer o meu check-up sanguíneo regular e os resultados chegaram precisamente durante esse período de gravações, pelo que usei umas horas um dos dias para ir ao médico e mostrar a informação. Queria perceber o que se passava de errado comigo.

Ainda me lembro da cara do médico a analisar os papéis dos exames e, de seguida, a olhar para mim e dizer:

“Está tudo bem com a sua saúde. Resultados perfeitos. Nada a registar. O seu problema é a forma como lida consigo emocionalmente.”

E assim gravei todo um álbum, do qual sinto orgulho e continuei o meu trabalho procurando ser mais gentil comigo própria.

Anos mais tarde foi-me sugerido ler “The Big Leap” de Gay Hendricks. Li-o em dois dias de tão curiosa. O autor refere-se a Upper Limits e como parecemos tão intolerantes a sentirmo-nos bem. Trata-se de um livro bem interessante, cuja leitura recomendo. Basicamente Upper Limit é como um limite que nos colocamos ao sentirmo-nos bem. Como Hendricks escreveu:

“Cada um de nós tem uma tolerância limite a sentir-se bem.”

Também sugiro ver o episódio em inglês de Marie Forleo:  Stop Self-sabotage with this one vital step

Portanto para todos nós que tendemos à auto-sabotagem, procuremos adoptar novas posturas perante isso. Valorizemo-nos e sejamos mais gentis connosco próprios.

por Marina Pacheco

[Fotografia: Krystallenia Photography]