A voz, esse instrumento divino dado ao ser humano é talvez o mais natural e ao mesmo tempo o mais complexo de todos.

Após mais de duas décadas de estudos musicais, confesso que só neste momento começo a entender melhor o funcionamento dessa máquina tão genial, encantadora e sensível.

Esta sensibilidade me despertou para a dificuldade de compreender aqueles que levam este magnífico aparelho para os palcos através do dom da arte e fazem disso a sua profissão. Se mesmo um músico e maestro com algum tempo de carreira tem dificuldade em perceber as necessidades fisiológicas dos cantores, o que dirá um leigo?

A saúde física e mental, para o funcionamento pleno da voz na hora da performance, faz com que as carências dos cantores se tornem “chatices” ou “esquisitices” aos olhos de colegas, espectadores e até mesmo de instituições musicais.

O cuidado de ter bons camarins, boa alimentação, ensaios mais curtos e com menos repetições de passagens, boas e arejadas acomodações, salas de ensaio com boa climatização, voos e viagens menos cansativas são imprescindíveis para uma boa performance.

Este seria, a meu ver, o respeito merecido por esses artistas que levam aos ouvintes o tão puro som das cordas vocais.

por Johann Ahl

Maestro germânico-brasileiro residente na Alemanha. Professor de Música e Compositor de Música para Filmes.